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O imperativo da mobilidade: estudantes Erasmus na Galiza
C.C.V./ Santiago de Compostela é uma cidade de 94.339 habitantes segundo o censo de 2008 do INE.
Galizalivre | 15-12-2009 a las 23:46 | 360 lecturas | 1 comentario
www.kaosenlared.net/noticia/imperativo-da-mobilidade-estudantes-erasmus-na-galiza
Durante o curso académico correspondente (2007-2008) 27.795 estudantes estavam matriculados na Universidade de Santiago de Compostela, dos quais 1.195 vinham ao nosso país com algum tipo de convénio ou programa de mobilidade (690 Erasmus, 86 Sicues, etc.). Aliás, outras 1.659 pessoas vindas de outras partes do estado estavam matriculadas na USC fora de qualquer convénio. Com estas cifras o que resulta estranho é que não se tenha feito qualquer análise do impacto sócio-cultural deste fenómeno numa cidade de poucos habitantes.Nesta maré de cifras há que distinguir diversas tipologias, e a análise por um patrão único é impossível. Vamos, porém, a apresentar alguns dados para compreender os efeitos deste fenómeno social.

Os estudantes na invenção do turismo

A história do fenómeno da mobilidade estudantil remite-nos ao Grand Tour. Até começos do século XX os jovens aristocratas ingleses faziam uma longa viagem, ao finalizar os seus estudos, por toda a Europa. É o nascimento do turismo. O alvo desses três ou quatro anos de viagem eram os de acumular capital social que no futuro lhes ajudariam a governar o Império. Aliás, era para a formação dos jovens uma espécie de “carnaval da vida”, um período de tempo no que se permite um tipo de vida que posteriormente não poderão manter para projectar o “negativo” da imagem da atitude social ideal, com uma função semelhante à famosa rumspringa dos amish.

Formas pessoas ou atrair turistas?

A meia de percentagem de mobilidade nas instituições da educação superior no estado espanhol (estudantes recebidos e enviados ao estrangeiro) é de 2%, cifra que a USC triplica. Entre 2004 e 2008 chegaram a Compostela 4.317 estudantes, enquanto foram ao estrangeiro 2.439. Na fase de doutoramento, porém, som muitíssimos mais os que marcham dos que vêm. O Erasmus europeu tem como destinos principais exatamente os mesmos do que turismo: Espanha, Itália e em geral o sul da Europa (a metade dos galegos que nos últimos 4 anos foram de Erasmus tiveram como destino a Itália); polo que não se trata de um fenómeno no que rejam as questões acadêmicas. Nas fases superiores, porém, mantêm-se para a mobilidade os critérios escolares, e os fluxos do estudantado continuam a dirigir-se para as grandes universidades. Com a adatação das universidades galegas ao Espaço Europeu de Educação Superior o finaciamento dos centros passarão polos dados de mobilidade a pola sua capacidade de atrair alunos. A situação é tal que o anterior vice-reitor de Relações Internacionais, Lorenzo Fernández Prieto, advertiu no passado curso que o objetivo das universidades é passar de formar cérebros fugados a contribuir para formação de estudantes de outros países, mediante a internacionalização da docência. A lógica que regerá as políticas universitária será então mui semelhante às que visam “atrair investimentos externos”: os países menos desenvolvidos terão de “vender-se” como melhor puderem.

O conflito linguístico

O programa Erasmus, que na teoria promove o conhecimento de línguas minoritárias, na realidade está a impor o inglês como língua franca por toda a Europa, como sinala um meio tão pouco “suspeitoso” como El País. É significativo que a página oficial do Programa Erasmus, alojada no domínio da European Commission, só poda ler-se em inglês, francês ou alemão. Destinos como Polónia, Noruega, Grécia, etc... são possíveis para estudantes galegos com tal de saberem inglês embora não saibam dizer nem “olá” em polaco, norueguês ou grego. A ditadura do inglês domina de tal jeito que M.U.A., galega do Návia e estudante de medicina, comenta-nos que “para fazer as práticas em São Paulo, onde tenho família, exigem-me passar uma prova de inglês, sem importar-lhes que eu já fale galego/português”. Do mesmo jeito um estudante estrangeiro pode vir à Galiza sem saber a nossa língua; de facto, não é estranho que saibam por primeira vez que a Galiza tem uma língua própria quando chegam ao país.  Nos Países Catalãos setores minoritários de estudantes Erasmus chegaram a promover uma associação que exigia aulas em espanhol. O deputado catalão Ignasi Guardans Cambó perguntou no Parlamento Europeu polo facto de a iniciativa Cursos Intensivos de Línguas Erasmus (EILC), que em teoria a Comissão Europeia desenhou para promover as línguas menos ensinadas na Europa, não contempla o ensino do catalão, galego e euskera. A resposta do Sr. Figel, no nome da Comissão, é bem significativa: “os idiomas regionais (sic) menos utilizados e menos ensinados que são essenciais para estudar noutro país não estão excluídos dos EILC [...]. Não obstante, nestes momentos não há nenhum cursos nestes idiomas.

Publicado originalmente no Novas da Galiza, nº 83

http://www.galizalivre.org/index.php?option=com_content&task=view&id=2259&itemid=1
 
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Comentarios (1)

#1.- Erasmus en España

Xavier Lorent|17-12-2009 20:35

Para toda la información relativa a Erasmus y Universitarios, aquí os notifico de la web más completa de España:

http://www.spainerasmus.com

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