Os estudantes na invenção do turismo
A história do fenómeno da mobilidade estudantil remite-nos ao Grand Tour. Até começos do século XX os jovens aristocratas ingleses faziam uma longa viagem, ao finalizar os seus estudos, por toda a Europa. É o nascimento do turismo. O alvo desses três ou quatro anos de viagem eram os de acumular capital social que no futuro lhes ajudariam a governar o Império. Aliás, era para a formação dos jovens uma espécie de “carnaval da vida”, um período de tempo no que se permite um tipo de vida que posteriormente não poderão manter para projectar o “negativo” da imagem da atitude social ideal, com uma função semelhante à famosa rumspringa dos amish.
Formas pessoas ou atrair turistas?
A meia de percentagem de mobilidade nas instituições da educação superior no estado espanhol (estudantes recebidos e enviados ao estrangeiro) é de 2%, cifra que a USC triplica. Entre 2004 e 2008 chegaram a Compostela 4.317 estudantes, enquanto foram ao estrangeiro 2.439. Na fase de doutoramento, porém, som muitíssimos mais os que marcham dos que vêm. O Erasmus europeu tem como destinos principais exatamente os mesmos do que turismo: Espanha, Itália e em geral o sul da Europa (a metade dos galegos que nos últimos 4 anos foram de Erasmus tiveram como destino a Itália); polo que não se trata de um fenómeno no que rejam as questões acadêmicas. Nas fases superiores, porém, mantêm-se para a mobilidade os critérios escolares, e os fluxos do estudantado continuam a dirigir-se para as grandes universidades. Com a adatação das universidades galegas ao Espaço Europeu de Educação Superior o finaciamento dos centros passarão polos dados de mobilidade a pola sua capacidade de atrair alunos. A situação é tal que o anterior vice-reitor de Relações Internacionais, Lorenzo Fernández Prieto, advertiu no passado curso que o objetivo das universidades é passar de formar cérebros fugados a contribuir para formação de estudantes de outros países, mediante a internacionalização da docência. A lógica que regerá as políticas universitária será então mui semelhante às que visam “atrair investimentos externos”: os países menos desenvolvidos terão de “vender-se” como melhor puderem.
O conflito linguístico
O programa Erasmus, que na teoria promove o conhecimento de línguas minoritárias, na realidade está a impor o inglês como língua franca por toda a Europa, como sinala um meio tão pouco “suspeitoso” como El País. É significativo que a página oficial do Programa Erasmus, alojada no domínio da European Commission, só poda ler-se em inglês, francês ou alemão. Destinos como Polónia, Noruega, Grécia, etc... são possíveis para estudantes galegos com tal de saberem inglês embora não saibam dizer nem “olá” em polaco, norueguês ou grego. A ditadura do inglês domina de tal jeito que M.U.A., galega do Návia e estudante de medicina, comenta-nos que “para fazer as práticas em São Paulo, onde tenho família, exigem-me passar uma prova de inglês, sem importar-lhes que eu já fale galego/português”. Do mesmo jeito um estudante estrangeiro pode vir à Galiza sem saber a nossa língua; de facto, não é estranho que saibam por primeira vez que a Galiza tem uma língua própria quando chegam ao país.  Nos Países Catalãos setores minoritários de estudantes Erasmus chegaram a promover uma associação que exigia aulas em espanhol. O deputado catalão Ignasi Guardans Cambó perguntou no Parlamento Europeu polo facto de a iniciativa Cursos Intensivos de Línguas Erasmus (EILC), que em teoria a Comissão Europeia desenhou para promover as línguas menos ensinadas na Europa, não contempla o ensino do catalão, galego e euskera. A resposta do Sr. Figel, no nome da Comissão, é bem significativa: “os idiomas regionais (sic) menos utilizados e menos ensinados que são essenciais para estudar noutro país não estão excluídos dos EILC [...]. Não obstante, nestes momentos não há nenhum cursos nestes idiomas.
Publicado originalmente no Novas da Galiza, nº 83
#1.- Erasmus en España
Xavier Lorent|17-12-2009 20:35
Para toda la información relativa a Erasmus y Universitarios, aquí os notifico de la web más completa de España:
http://www.spainerasmus.com
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