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As caixas e a fantasmagoria da modernizaçom autonomista
Pode-se dizer que o independentismo galego tem um certo paralelismo com o ecologismo histórico, antes de este se converter numha versom do mercado.
Jorge Paços | 25-11-2009 a las 10:00 | 243 lecturas
www.kaosenlared.net/noticia/as-caixas-fantasmagoria-da-modernizacom-autonomista
As prediçons verdes de há corenta anos sobre os “limites do crescimento” eram umha brincadeira de mau gosto de especialistas da classe média, diziam os capitalistas. Hoje, mudança climática, crise energética, sobrepopulaçom e outras penúrias presentes som assumidas nos quatro recantos do Planeta. Da mesma maneira, o reintegracionismo, a crítica da docilidade pacifista galega, ou o carácter fantasmagórico dum nacionalismo empresarial, eram tolarias de mocidade desbocada. É bom resgatarmos a pertinência destas utopias, quando os senhores galego-espanhóis das caixas apontam possíveis fusons foráneas.

Hoje o parlamentinho certificou um consenso ideal por volta das boas intençons sobre a fusom das caixas, umha nova cenificaçom da galeguidade impotente que se invoca nas instituiçons para se desmentir nas empresas. Ainda sem se dirimir a existência dumha “caixa galega”, resgatamos para leitores e leitoras umha notícia deste portal, riscada de “catastrofista”. Publicou-se no mês de agosto, quando a desgaleguizaçom das caixas semelhava remota. Acompanhamo-la também do fragmento do texto de análise “A defesa da Terra e a dialéctica do progresso”, que publicámos de maneira fragmentária no seu dia. O autonomismo em todas as suas versons, mais desacreditado que nunca.

Em 17 de agosto de 2009, galizalivre escrevia:

“Os rumores sobre a operaçom de Caja Madrid continuam, enquanto os máximos responsáveis do PP na Galiza se negam a rejeitar abertamente a tentativa de absorçom. Núñez Feijoo limitou-se a afirmar que “nom aceita nem calendários nem pressons externas”, manifestando que a decisom sobre a fusom depende das instáncias galegas dos  partidos e das caixas. Desta maneira, a um tempo que semelha combater a possível absorçom das caixas galegas, tampouco se atreve a negar de maneira rotunda as operaçons expansionistas dos seus colegas madrilenos.

Porém, mesmo das fileiras espanholistas, a possibilidade da fusom é questionada. O PSOE negou talhantemente essa possibilidade e criticou a pouca clareza da fusom. Inclusive afamados intelectuais do nacionalismo espanhol, como Roberto Blanco Valdés, criticárom esta operaçom como “tentativa desgaleguizadora”. Diz o opinólogo que “Caixa Nova e Caixa Galicia procurarám o melhor para as entidades que dirigem: quer dizer, para os seus depositantes e trabalhadores e, em fim, para o país. E com a certeza, de que, se for preciso, as autoridades políticas galegas nom poderiam mais que impedir qualquer fusom.”
Um ensombrecimento grave para as perspectivas autonomistas, que insuflam um ar viciado aos três partidos institucionais. Assi se dizia (antes de ter-se notícia da polémica das caixas) no artigo “A defesa da Terra e a dialéctica do progresso”.

"À luz das mudanças profundas havidas nas últimas décadas, está claro que o projecto do nacionalismo modernizador-autonomista tornou-se mais obsoleto que nunca. Continuar a brincar a burguesia-locomotora com mais de 80 anos de retraso!. Se nom puido ser a fidalguia agrária decimonónica, se tampouco puido ser Barrié, Álvarez, Franqueira ou os Fernández, ainda o podemos intentar com Jacinto Rei, Manuel Jove, Epifánio Campo ou Manuel Cortizo. Ao impulso modernizador-conservador de Manuel Fraga Iribarne, que pujo a Galiza na senda da convergência, deve-lhe seguer o relevo nacional-progressista de esquerdas. Un novo patamar, um repinicar de sinos. Num momento histórico em que o capital se fez mais apátrida que nunca, em que a locomotora vai por livre, desenganchada de vagons, sem estaçons e apeadeiros, este jogo apenas pode rematar na conformaçom de um modesto e competitivo lobby empresarial aupado por um governinho regional. No horizonte, o que fica de conquista da sociedade de progresso é um desalmado respeito polos princípios fundamentais da acumulaçom e a inversom de capital, a competência e o benefício, a submissom e o acatamento do regime democrático-constitucional espanhol. "
 
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