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24 Nov 2012

Gaza: Minha última história Destacado

Escrito por  Gideon Levy – Haaretz
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A última vez que fui á Gaza foi em novembro de 2008. Eu reportei a respeito de um míssil israelense que atingiu as crianças no jardim de infância Indira Gandhi e matou a sua professora diante de seus olhos.Essa foi minha última história sobre Gaza.- Gideon Levy

 

Eu não fui para Gaza

Eu sou um pequeno jornalista que faz parcialmente um mau uso de seu papel e trai a sua missão. Certo, eu corro para o sul, entre os lugares de destruição e residentes traumatizados. Ao escutar as sirenes, eu deito no chão e cubro minha cabeça com as mãos, ou encontro refúgios duvidosos em algumas lojas de roupas de crianças. Eu até vislumbro Gaza do alto da colina em Sderot, mas a Gaza eu não vou, sobre o seu sofrimento eu não reporto. E, assim como acontece comigo, também acontece com todo jornalista israelense.

A última vez que fui em Gaza foi em novembro de 2008. Eu reportei então a respeito de um míssil israelense que atingiu as crianças do jardim de infância Indira Gandhi e matou a sua professora diante de seus olhos. Essa foi minha última história sobre Gaza. Desde então Israel baniu a ida de jornalistas israelenses para a Faixa de Gaza, e os jornalistas aceitaram isso com uma obediência e subserviência típicas. Ao longo dos anos eles se tornaram os mais leais (e admiráveis) servidores públicos: eles conhecem a alma da besta. Eles sabem que os seus leitores e telespectadores não querem saber o que se passa em Gaza, e alegremente atendem aos seus desejos. Nem uma palavra de protesto dos jornalistas, cujo governo os proíbe de realizarem seu papel essencial.

Nem todos eles são desprovidos de coragem. Os corajosos dentre eles reportam ao longo dos anos de zonas de guerra e de zonas de desastres naturais, ao redor do mundo. Heróis que são, foram ao Iraque, a Líbia, a Síria e até mesmo a Sarajevo sob bombardeio, no Japão quando a terra tremeu e para a Geórgia, quando entrou em guerra. O governo de Israel não expressou qualquer preocupação hipócrita pelo nosso bem estar e nós fizemos a nossa parte, até mesmo quando era perigoso. Não apenas em Gaza, a uma hora e vinte e cinco minutos de nossas casas, um lugar que afeta as nossas vidas incomensuravelmente mais do que Fukushima.

Durante a Operação Chumbo Fundido, minha colega Amira Hass conseguiu chegar em Gaza pelo Egito, graças a sua dedicação, determinação e a um segundo passaporte. Dessa vez ninguém sequer tentou fazer o mesmo.

É assim que Israel fica sem saber quase nada a respeito do que está se passando em Gaza. Alguém está fazendo com que isso seja indubitável. A morte terrível da família Dalou, por exemplo, foi coberta pela mídia israelense como um serviço descompromissado do jornalismo profissional, como uma notícia lateral.

Não há quase expressão tangível na mídia israelense da destruição e morte que Israel disseminou e do grande medo que assolou um milhão e meio de residentes por uma semana, sem um lugar a salvo, sem alertas de Códigos Vermelhos e sem um abrigo antibombas. Eles se limitam a pequenas e secas reportagens, no circuito das últimas notícias. Ocasionalmente, trazem algum Ahmed ou outro numa linha, e toda reportagem a partir daí é acompanhada pelas palavras “de acordo com palestinos”, com acusações hipócritas de que “os palestinos estão usando fotos de horror”, como se isso fosse história e não o próprio horror.

A questão não tem nada a ver com visões políticcas, só com jornalismo profissional: os israelenses devem saber o que é feito em seu nome, mesmo que eles de fato, realmente não queiram saber. Este é o papel do jornalismo. É claro, o sofrimento do sul de Israel deve ser extensamente reportado – eu também faço isso – mas não devemos fechar os nossos olhos para o que está acontecendo do outro lado, mesmo que não seja legal ver uma casa explodir com todos os seus residentes junto.

Quem quiser saber o que está acontecendo nesses dias em Gaza está convidado a assistir aos jornais internacionais e a ler os jornais do mundo. Somente lá toda a história sera contada. Israel e alguns de seus jornalistas dirão a você que isso é o jornalismo caluniador, hostil e distorcido. Eles só querem ver Ashkelon e Rishon Letzion.

É preciso saber o que está acontecendo em Gaza para saber o que está acontecendo em Israel. O jornalismo que fracassa em fazer isso, e sequer protesta, é inimigo do esclarecimento. É bom quando um correspondente militar veste um capacete amarelo e sobe num carro de bombeiros para nos mostrar a destruição num bloco de apartamentos; pode-se de alguma maneira viver com um comentarista militar, propagandista da guerra, que só rosna pela guerra. Mas reproduzir mensagens de textos das autoridades não é jornalismo.

Um verdadeiro jornalista israelense deveria estar em Gaza agora. Sem isso, e com a cobertura negligente que é feita lá, nós somos todos pequenos jornalistas.

Tradução: Katarina Peixoto

Modificado por última vez en Sábado, 24 Noviembre 2012 14:27

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