A privatização dos três principais aeroportos do País (Cumbica, Viracopos e Juscelino Kubitscheck) trouxe à tona algo que este jornal vem denunciando desde o ano passado: o governo Dilma Rousseff começou a colocar em marcha um plano de austeridade para salvar os lucros dos capitalistas à custa de uma maior exploração da classe operária e parte fundamental deste plano consiste em promover a maior onde de privatizações desde a era FHC.Durante o governo Lula as privatizações continuaram, mas pela oposição da população a esta política que foi marca registrada do PSDB e por alguns fatores econômicos, a venda do patrimônio público não foi tão intensa nos primeiros governos petistas como aquela realizada pelo PSDB de 1995 a 2002. No final de 2010, no entanto, foi anunciada a privatização d aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, e dos três aeroportos privatizados esta semana.
Este foi o ponto de partida do aprofundamento da venda do patrimônio público pelo governo do PT. Em seguida, foi realizada no início do segundo semestre o governo aprovou no Congresso a Medida Provisória 522, que abriu o capital dos Correios, a maior estatal do País em números de trabalhadores, dando início ao processo de domínio total da empresa pelos especuladores imperialistas. Ao longo do ano passado, diversas iniciativas também foram tomadas neste sentido. Desta forma, empresas como a Telebras, o Banco do Brasil, a Petrobras, entre outras.
O governo do PT pretende vender todas estas empresas para o capital estrangeiro seguindo o modelo adotado nos leilões da última segunda-feira, onde a empresa privatizada passa para as mãos dos capitalistas por meio da criação de uma Empresa de Propósitos Específicos.
Por isso, parte fundamental da luta da classe operária no próximo período deve ser contra a maior onda de privatizações desde o governo FHC, que pretende liquidar as empresas estatais que FHC e Lula não conseguiram vender.
Financiando a privatização com dinheiro público
Além de entregar os aeroportos para grandes capitalistas estrangeiros, o governo do PT irá financiar com dinheiro público este desmonte do setor de infraestrutura nacional. Pouco antes do leilão foi anunciado que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiará um total de 80% do total necessário para a construção dos novos terminais para que os capitalistas que venceram a privatização possam explorá-lo. Ou seja, o governo, na prática, entregou para os especuladores internacionais os três principais aeroportos do País: Cumbica, em Guarulhos; Juscelino Kubitscheck, em Brasília; e Viracopos, em Campinas. Estes três aeroportos, inclusive, ganharão ainda mais importância na economia nacional com os grandes eventos esportivos que ocorrerão nos próximos anos, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Nestes próximos anos aumentarão tanto o número de passageiros como o número de mercadorias que circulam por estes locais.
Neste sentido, o governo do PT está financiando com dinheiro público a entrega de um setor estratégico, tanto do ponto de vista econômico como do ponto de vista militar, uma vez que os aeroportos são uma das principais portas de entrada para o País.
Os aeroportos, no entanto, devem ser apenas o primeiro passo para uma série de privatizações que o governo Dilma deve realizar a partir de agora, resultado de seu plano de austeridade que pretende defender os lucros dos capitalistas à custa do dinheiro da classe operária e do patrimônio nacional.
Neste sentido, é preciso realizar uma ampla campanha denunciando a privatização destes três aeroportos e organizar a classe operária para, na prática, impedir esta e outras privatizações de setores estratégicos.
Outros ataques: Novo Código Florestal, Lei Geral da Copa...
Também estão sendo preparados ataques aos trabalhadores com projetos como a Lei Geral da Copa, o Novo Código Florestal e uma nova medida para avançar na Reforma da Previdência.
A Lei Geral da Copa, por exemplo, cria uma série de condições favoráveis para os capitalistas que pretendem lucrar com o campeonato mundial de futebol que acontecerá no Brasil em 2014. Este projeto ataca a soberania nacional e os direitos democráticos. Um projeto apresentado por senadores que apóiam o governo e que pode ser incorporado na Lei prevê que as greves se tornem crime durante a realização dos jogos.
O novo Código Florestal, por sua vez, tem como objetivo beneficiar os grandes latifundiários por meio de uma legislação que incentiva a monocultura e, conseqüentemente, a exportação de commodities.
E o projeto que cria um novo Fundo de Pensão dos Servidores Públicos, o primeiro desta lista de projetos que o governo quer colocar em prática, pretende beneficiar os bancos.
Esta série de ataques não é mera coincidência. A crise capitalista, ao contrário do que está afirmando o governo, está avançando e deve provocar em um futuro próximo o maior colapso da história da economia nacional. Por este motivo, o governo Dilma está atacando a classe operária com maior intensidade. Seu objetivo é garantir o lucro dos capitalistas.
Esta onda de ataques, no entanto, deve levar a um aumento das lutas da classe operária. Neste sentido, uma das principais tarefas é esclarecer os trabalhadores sobre os verdadeiros planos do governo e organizar os trabalhadores para lutar contra estas medidas de austeridade.
